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Felipe
terça-feira, 9 de novembro de 2010
quinta-feira, 6 de maio de 2010
O que eu aprendi (e descobri) com o livro “O retrato de Dorian Gray” (The Picture of Dorian Gray – Oscar Wilde)
Nesse semestre da faculdade, em Literatura Inglesa estudamos o livro supracitado. A princípio, o livro me pareceu nada atraente. Mas, como eu teria que ler de qualquer jeito, pesquisei um pouco e vi que havia sido lançado um filme ano passado. Então, assisti. E gostei muito. Depois, lendo o livro e participando de discussões em sala, cheguei a algumas conclusões. Não espero que você as tome para si mesmo. Mas, espero que considere-as como elas merecem ser consideradas
Aviso ao leitor: Começo a partir daqui a levar em conta que os princípios que usarei nesse texto sejam de aceitação do leitor (Na maioria dos casos, tirei conclusões a partir da Bíblia). Deus, como ser supremo, parte do princípio que “aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe...” Deus não precisa (e não o faz) ficar provando a sua existência. Ou você acredita, ou desiste da ideia. Esse texto só fará sentido pra você se você crer, ou seja acreditar. Se você não acredita, ainda dá tempo...
O primeiro ponto que quero abordar é o mal versus o bem. Não é um discurso simplesmente maniqueísta, mas é uma verdade que, no fundo, todos sabemos que é. A todo tempo, no mundo em que vivemos, temos que aprender a ter controle sobre nós mesmos. Nascemos e aprendemos a ter controle sobre nossas necessidades fisiológicas. É natural, não é? Vamos crescendo, e dependendo daquilo que recebemos (seja criação, seja capital cultural, o que seja!!!), vamos aprendendo a fazer escolhas. Porém, no fundo de nossa consciência (a qual eu não acredito que seja apenas uma construção social) Essas escolhas, em algum momento, passa pelo certo e pelo errado.
Vou citar C.S. Lewis, um dos filósofos mais respeitados do século XX (e, particularmente, o que eu quero ser quando crescer...):
“O mais extraordinário, porém, é que, sempre que encontramos um homem a afirmar que não acredita na existência do certo e do errado, vemos logo em segui¬da este mesmo homem mudar de opinião. Ele pode não cumprir a palavra que lhe deu, mas, se você fizer a mesma coisa, ele lhe dirá "Não é justo!" antes que você pos¬sa dizer "Cristóvão Colombo". Um país pode dizer que os tratados de nada valem; porém, no momento seguinte, porá sua causa a perder afirmando que o tratado espe¬cífico que pretende romper não é um tratado justo. Se os tratados de nada valem, se não existe um certo e um errado - em outras palavras, se não existe uma Lei Na¬tural —, qual a diferença entre um tratado justo e um in-justo? Será que, agindo assim, eles não deixam o rabo à mostra e demonstram que, digam o que disserem, conhe¬cem a Lei Natural tanto quanto qualquer outra pessoa? Parece, portanto, que só nos resta aceitar a existên¬cia de um certo e um errado. As pessoas podem volta e meia se enganar a respeito deles, da mesma forma que às vezes erram numa soma; mas a existência de ambos não depende de gostos pessoais ou de opiniões, da mesma forma que um cálculo errado não invalida a tabuada, Se concordamos com estas premissas, posso passar à se¬guinte: nenhum de nós realmente segue à risca a Lei Natural.”
E é por aí que eu quero começar. Vou acabar entrando em outros temas, mas tudo bem. Você entende!
A natureza do homem é má. Não a princípio, mas como resultado. Quando uma criança nasce, ela é o exato retrato da pureza e ingenuidade. Não podemos dizer que uma criança que não fala, não entende nada muito além de um bilu bilu e um seio da mãe, seja má. Não é. Só que, como falei, a partir de uma certa idade, a criança perde a inocência. Ela escolhe fazer o algo errado. Ela escolhe bater no coleguinha, ou escolhe mentir pra professora... Ela ESCOLHE. E a partir daí, a sua natureza é corrompida. O seu ser passa a ser, então, pecador. E a partir daí, se ela não for regenerada, ela continua sendo pecadora, com a natureza deformada.
Agora, eu concordo que o bem e o mal estão dentro de você. Claro! Você pode escolher. Você pode aceitar a sugestão daqueles que estão à sua volta, que vivem na mesma situação que você, e passar a viver a partir de algo que está em você, como o Dorian. Agora, não venha me dizer que você não tem escolha.
Um outro ponto que quero abordar é a MORAL. E para isso, vou citar de novo C.S. Lewis:
“And I am afraid that is the sort of idea that the word Morality raises in a good many people's minds: something that interferes, something that stops you having a good time. In reality, moral rules are directions for running the human machine. Every moral rule is there to prevent a breakdown, or a strain, or a friction, in the running of that machine. That is why these rules at first seem to be constantly interfering with our natural inclinations. When you are being taught how to use any machine, the instructor keeps on saying, "No, don't do it like that," because, of course, there are all sorts of things that look all right and seem to you the natural way of treating the machine, but do not really work.”
A Lei Natural, ou moral, está presente em todos os seres humanos. Vou dar um exemplo. Quando você faz algo errado, ou que foge às normas de atitude que você escolheu, e alguém descobre, você não tenta dar uma desculpa para se justificar? Por quê? Se você tomou aquela atitude sem pensar, sem querer, o que seja, você SABE que fez algo errado. A base da moral não é o “terror da sociedade”, como Harry diz. A moral é construída com os nossos valores, inerentes ao ser humano, e que em algum momento do caminho, deixamos de seguir. Como está acima, imagine um país onde a moral seja louvar aquele que comete assassinato? Acho que em pouco tempo esse país se acabaria...
É claro que todos nós erramos. Eu não estou dizendo que sempre fazemos a coisa certa. Mas, de alguma forma, sabemos se o que fazemos é bom ou ruim. Sabemos que, se tentamos derrubar uma pessoa com a intenção e não conseguimos, somos mais culpados do que se conseguíssemos derrubá-la sem querer, ou sem a intenção. Você SABE. E a pessoa, se ela entender os fatos antes de devolver o empurrão, também vai SABER se você está certo ou não.
Agora, não posso deixar de falar que há uma saída. Mas pra isso, você precisa nascer de novo. E, usando as palavras de Jesus, não da carne nem do sangue. Não é um nascimento natural, é um renascimento por dentro. Você passa a fazer parte de uma outra natureza, que não é pecadora, e que tem o erro como acidente, e não algo que faz parte de sua natureza. (Se quiser saber mais, leia Romanos 3:23, Romanos 6:23, João 3:3, João 14:6, Romanos 10:9-11, 2 Coríntios 5:15 e Apocalipse 3:20.)
Outro ponto que quero debater é a morte. A morte é, sim, liberdade. Só que, não no caso de Dorian, que vai viver eternamente colhendo os frutos do mal que plantou na Terra. A morte é LIBERDADE para aqueles que sabem pra onde vão. E nem adianta tentar me convencer que a vida acaba aqui na Terra, porque você sabe (SABENDO) que não acaba aqui. Se você não sabe pra onde vai você tem medo, como o Dorian. Agora, quando você sabe, e tem certeza (não tem outro jeito, é acreditando mesmo) de que você vai enfrentar a morte como uma experiência libertadora, você não tem medo. Eu não tenho medo da morte, de verdade, porque eu SEI pra onde eu vou. Eu tenho certeza que me farei livre de tudo que esta terra tem que me prende. Eu tenho certeza de que “se eu acho em mim mesmo desejos que nada nesse mundo pode satisfazer, eu só posso concluir que eu não fui feito para estar aqui” (C.S. Lewis via Brooke Fraser).
Outro ponto: Uma vida de prazer não traz felicidade. Isso é claro em Dorian Gray. E é muito mais claro ainda que nós, seres humanos, fomos quase que “programados” para sermos felizes. Faz parte de nossa natureza. É por isso que nosso corpo reage quando perdemos num jogo. Ele registra aquilo pra sempre, para que não se repita. Quem ganha não se lembra, porque foi feito pra ganhar. Todos nós fomos. E fomos feitos para sermos felizes. Então, depois de procurar a felicidade (porque ele ESTAVA PROCURANDO, com certeza. Todos estamos.) no prazer, na experiência, Dorian descobriu que nada daquilo trazia felicidade a ele. E morreu infeliz.
Outro: Não se deixe ser objeto de estudo de ninguém, além de você mesmo. Você pode descobrir coisas perigosas sobre você mesmo... rsrs. Você, que não “sabe tudo” e nem “sabe nada” é interessante, tá. Não acredite em quem acha que não sabe nada ou “sabe tudo”.
O último, e talvez mais importante é: tome cuidado com quem você anda. O livro mostra de forma ótima o nível de influência que uma pessoa pode ter sobre outra. No caso, Harry influencia Dorian para o mal. E ele aceita. E passa a viver de idéias que nem mesmo Harry tem coragem de viver. Como um marionete, ele aceita a sugestão e se “dá mal” no final.
E, gente, tenho que reconhecer, que estava parcialmente equivocado sobre o “homoerotic” rsrss. Reconheço que, no final do capítulo IX, Dorian faz a sua leitura de Basil (“amizade colorida por romance”). Nem Basil, nem Harry falam algo parecido em nenhum outro ponto da narrativa. Agora, em muitas passagens, eles dizem: I worship you, I adore you. Isso pra mim não é nada erotismo. É idolatria mesmo. E eu ainda acho que o meu amor por meu pai e por meus amigos não tem nada de homoerotic, e que eu não preciso associar tudo que eu vivo com sexo, seguindo ao pé da letra as idéias de Freud. Pra mim, o mundo é muito maior que sexo.
Pra você que chegou até aqui, desculpe pelas muitas palavras. E parabéns por chegar ao final de um texto tão longo. Espero que tenha gostado. E comente, por favor!
Felipe Aguiar
Aviso ao leitor: Começo a partir daqui a levar em conta que os princípios que usarei nesse texto sejam de aceitação do leitor (Na maioria dos casos, tirei conclusões a partir da Bíblia). Deus, como ser supremo, parte do princípio que “aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe...” Deus não precisa (e não o faz) ficar provando a sua existência. Ou você acredita, ou desiste da ideia. Esse texto só fará sentido pra você se você crer, ou seja acreditar. Se você não acredita, ainda dá tempo...
O primeiro ponto que quero abordar é o mal versus o bem. Não é um discurso simplesmente maniqueísta, mas é uma verdade que, no fundo, todos sabemos que é. A todo tempo, no mundo em que vivemos, temos que aprender a ter controle sobre nós mesmos. Nascemos e aprendemos a ter controle sobre nossas necessidades fisiológicas. É natural, não é? Vamos crescendo, e dependendo daquilo que recebemos (seja criação, seja capital cultural, o que seja!!!), vamos aprendendo a fazer escolhas. Porém, no fundo de nossa consciência (a qual eu não acredito que seja apenas uma construção social) Essas escolhas, em algum momento, passa pelo certo e pelo errado.
Vou citar C.S. Lewis, um dos filósofos mais respeitados do século XX (e, particularmente, o que eu quero ser quando crescer...):
“O mais extraordinário, porém, é que, sempre que encontramos um homem a afirmar que não acredita na existência do certo e do errado, vemos logo em segui¬da este mesmo homem mudar de opinião. Ele pode não cumprir a palavra que lhe deu, mas, se você fizer a mesma coisa, ele lhe dirá "Não é justo!" antes que você pos¬sa dizer "Cristóvão Colombo". Um país pode dizer que os tratados de nada valem; porém, no momento seguinte, porá sua causa a perder afirmando que o tratado espe¬cífico que pretende romper não é um tratado justo. Se os tratados de nada valem, se não existe um certo e um errado - em outras palavras, se não existe uma Lei Na¬tural —, qual a diferença entre um tratado justo e um in-justo? Será que, agindo assim, eles não deixam o rabo à mostra e demonstram que, digam o que disserem, conhe¬cem a Lei Natural tanto quanto qualquer outra pessoa? Parece, portanto, que só nos resta aceitar a existên¬cia de um certo e um errado. As pessoas podem volta e meia se enganar a respeito deles, da mesma forma que às vezes erram numa soma; mas a existência de ambos não depende de gostos pessoais ou de opiniões, da mesma forma que um cálculo errado não invalida a tabuada, Se concordamos com estas premissas, posso passar à se¬guinte: nenhum de nós realmente segue à risca a Lei Natural.”
E é por aí que eu quero começar. Vou acabar entrando em outros temas, mas tudo bem. Você entende!
A natureza do homem é má. Não a princípio, mas como resultado. Quando uma criança nasce, ela é o exato retrato da pureza e ingenuidade. Não podemos dizer que uma criança que não fala, não entende nada muito além de um bilu bilu e um seio da mãe, seja má. Não é. Só que, como falei, a partir de uma certa idade, a criança perde a inocência. Ela escolhe fazer o algo errado. Ela escolhe bater no coleguinha, ou escolhe mentir pra professora... Ela ESCOLHE. E a partir daí, a sua natureza é corrompida. O seu ser passa a ser, então, pecador. E a partir daí, se ela não for regenerada, ela continua sendo pecadora, com a natureza deformada.
Agora, eu concordo que o bem e o mal estão dentro de você. Claro! Você pode escolher. Você pode aceitar a sugestão daqueles que estão à sua volta, que vivem na mesma situação que você, e passar a viver a partir de algo que está em você, como o Dorian. Agora, não venha me dizer que você não tem escolha.
Um outro ponto que quero abordar é a MORAL. E para isso, vou citar de novo C.S. Lewis:
“And I am afraid that is the sort of idea that the word Morality raises in a good many people's minds: something that interferes, something that stops you having a good time. In reality, moral rules are directions for running the human machine. Every moral rule is there to prevent a breakdown, or a strain, or a friction, in the running of that machine. That is why these rules at first seem to be constantly interfering with our natural inclinations. When you are being taught how to use any machine, the instructor keeps on saying, "No, don't do it like that," because, of course, there are all sorts of things that look all right and seem to you the natural way of treating the machine, but do not really work.”
A Lei Natural, ou moral, está presente em todos os seres humanos. Vou dar um exemplo. Quando você faz algo errado, ou que foge às normas de atitude que você escolheu, e alguém descobre, você não tenta dar uma desculpa para se justificar? Por quê? Se você tomou aquela atitude sem pensar, sem querer, o que seja, você SABE que fez algo errado. A base da moral não é o “terror da sociedade”, como Harry diz. A moral é construída com os nossos valores, inerentes ao ser humano, e que em algum momento do caminho, deixamos de seguir. Como está acima, imagine um país onde a moral seja louvar aquele que comete assassinato? Acho que em pouco tempo esse país se acabaria...
É claro que todos nós erramos. Eu não estou dizendo que sempre fazemos a coisa certa. Mas, de alguma forma, sabemos se o que fazemos é bom ou ruim. Sabemos que, se tentamos derrubar uma pessoa com a intenção e não conseguimos, somos mais culpados do que se conseguíssemos derrubá-la sem querer, ou sem a intenção. Você SABE. E a pessoa, se ela entender os fatos antes de devolver o empurrão, também vai SABER se você está certo ou não.
Agora, não posso deixar de falar que há uma saída. Mas pra isso, você precisa nascer de novo. E, usando as palavras de Jesus, não da carne nem do sangue. Não é um nascimento natural, é um renascimento por dentro. Você passa a fazer parte de uma outra natureza, que não é pecadora, e que tem o erro como acidente, e não algo que faz parte de sua natureza. (Se quiser saber mais, leia Romanos 3:23, Romanos 6:23, João 3:3, João 14:6, Romanos 10:9-11, 2 Coríntios 5:15 e Apocalipse 3:20.)
Outro ponto que quero debater é a morte. A morte é, sim, liberdade. Só que, não no caso de Dorian, que vai viver eternamente colhendo os frutos do mal que plantou na Terra. A morte é LIBERDADE para aqueles que sabem pra onde vão. E nem adianta tentar me convencer que a vida acaba aqui na Terra, porque você sabe (SABENDO) que não acaba aqui. Se você não sabe pra onde vai você tem medo, como o Dorian. Agora, quando você sabe, e tem certeza (não tem outro jeito, é acreditando mesmo) de que você vai enfrentar a morte como uma experiência libertadora, você não tem medo. Eu não tenho medo da morte, de verdade, porque eu SEI pra onde eu vou. Eu tenho certeza que me farei livre de tudo que esta terra tem que me prende. Eu tenho certeza de que “se eu acho em mim mesmo desejos que nada nesse mundo pode satisfazer, eu só posso concluir que eu não fui feito para estar aqui” (C.S. Lewis via Brooke Fraser).
Outro ponto: Uma vida de prazer não traz felicidade. Isso é claro em Dorian Gray. E é muito mais claro ainda que nós, seres humanos, fomos quase que “programados” para sermos felizes. Faz parte de nossa natureza. É por isso que nosso corpo reage quando perdemos num jogo. Ele registra aquilo pra sempre, para que não se repita. Quem ganha não se lembra, porque foi feito pra ganhar. Todos nós fomos. E fomos feitos para sermos felizes. Então, depois de procurar a felicidade (porque ele ESTAVA PROCURANDO, com certeza. Todos estamos.) no prazer, na experiência, Dorian descobriu que nada daquilo trazia felicidade a ele. E morreu infeliz.
Outro: Não se deixe ser objeto de estudo de ninguém, além de você mesmo. Você pode descobrir coisas perigosas sobre você mesmo... rsrs. Você, que não “sabe tudo” e nem “sabe nada” é interessante, tá. Não acredite em quem acha que não sabe nada ou “sabe tudo”.
O último, e talvez mais importante é: tome cuidado com quem você anda. O livro mostra de forma ótima o nível de influência que uma pessoa pode ter sobre outra. No caso, Harry influencia Dorian para o mal. E ele aceita. E passa a viver de idéias que nem mesmo Harry tem coragem de viver. Como um marionete, ele aceita a sugestão e se “dá mal” no final.
E, gente, tenho que reconhecer, que estava parcialmente equivocado sobre o “homoerotic” rsrss. Reconheço que, no final do capítulo IX, Dorian faz a sua leitura de Basil (“amizade colorida por romance”). Nem Basil, nem Harry falam algo parecido em nenhum outro ponto da narrativa. Agora, em muitas passagens, eles dizem: I worship you, I adore you. Isso pra mim não é nada erotismo. É idolatria mesmo. E eu ainda acho que o meu amor por meu pai e por meus amigos não tem nada de homoerotic, e que eu não preciso associar tudo que eu vivo com sexo, seguindo ao pé da letra as idéias de Freud. Pra mim, o mundo é muito maior que sexo.
Pra você que chegou até aqui, desculpe pelas muitas palavras. E parabéns por chegar ao final de um texto tão longo. Espero que tenha gostado. E comente, por favor!
Felipe Aguiar
Direitos Autorais - O que o Músico precisa fazer para garantir seus direitos?
Pela legislação vigente no Brasil atualmente, não só os compositores têm direitos sobre a sua obra. Os arranjadores, músicos, e até os técnicos de som podem ter acesso aos direitos conexos que lhe pertencem. Direitos Autorais são aqueles que cabem ao autor da obra, não só musical, mas artística em geral. O autor tem direito de explorar economicamente, enquanto viver, transmitindo esse direito a seus herdeiros ou sucessores pelo prazo de 70 anos. Depois disso, a obra cai em domínio público. Esse direito é subdividido em duas partes: Direito Patrimonial e Direito Moral. Mas qual a diferença entre os dois?
O direito moral é eterno. O autor tem o direito de ter o seu nome indicado junto à obra, reivindicar a autoria da obra a qualquer momento, conservar a obra inédita, opor-se a qualquer modificações ou prática de atos que possam prejudicá-la, de modificar a obra a qualquer tempo, de retirá-la de circulação ou de suspender qualquer forma de utilização já autorizada.
O direito patrimonial é o lucro, ou retorno financeiro que a determinada obra lhe traz sendo divulgada, executada em rádios, ou distribuída em forma de gravações e/ou CDs, DVDs entre outros meios de divulgação.
Sabemos que o processo de arrecadação ainda gera muitas dúvidas entre os músicos e autores, e entendemos que por muitos ainda é desconhecido. Mas, arrecadação de direitos é dotado de normas e associações que precisam ser feitas, e desejamos com esse artigo que você, músico ou compositor, saiba o que fazer para garantir seus direitos:
Para entendermos como funciona o mecanismo brasileiro de Direitos Autorais, precisamos conhecer algumas instituições:
ECAD – Escritório Central de Arrecadação de Direitos
O ECAD é nada mais que a União das Sociedades Arrecadadoras (que veremos a seguir). Ele é o departamento responsável nacionalmente pela arrecadação dos Direitos Autorais e Conexos. Todo o dinheiro resultante de Direitos Autorais e Conexos passa pelo ECAD. E muito desse lucro é retido porque o ECAD não encontra o autor, ou o mesmo não é associado. Com isso, muitos compositores e músicos não recebem o que lhe é devido.
Sociedades Arrecadadoras
As sociedades arrecadadoras são organizações não governamentais que visam garantir o direito dos autores e músicos. São elas que distribuem o dinheiro arrecadado pelo ECAD. Mas, então, qual é a utilidade do ECAD?
Para explicar tal questão, vou usar um exemplo prático. Imagine o dono de uma rádio, que na segunda-feira é abordado por uma sociedade, por exemplo, a AMAR. Ele paga o que ele deve de direitos autorais. Na terça, o mesmo dono de rádio é abordado por outra, a SOCINPRO. Imagine ele sendo abordado por 10 sociedades diferentes! Como ele saberia quanto pagar a cada uma?
Para isso foi criado o ECAD. Para que a arrecadação fosse feita por uma empresa só. Você paga somente ao ECAD pelo uso de qualquer música, de qualquer artista que seja.
As sociedades arrecadadoras são: AMAR, SOCINPRO, ABRAC, ABRAMUS, ANACIM, ASSIM, ATIDA, SBACEM, SICAM, UBC. Conheça os preceitos de cada uma e escolha a melhor para o seu caso.
Editoras
As editoras são responsáveis por gerenciar o processo de autorização de músicas a serem utilizadas por outras pessoas. Os artistas, por exemplo, ao gravarem um álbum, procuram as editoras responsáveis por cada música, e lhe faz o requerimento para a gravação. A editora atribui os valores, faz os contratos, e contata o artista para que ele receba o direito prévio devido à gravação de sua obra. Imagine se o cantor ou artista tivesse que procurar cada autor, pessoalmente, para pedir-lhe autorização para gravar sua música? As editoras facilitam esse processo. O autor pode escolher se quer que sua música seja editada ou não, mas se não for, ele terá que tratar pessoalmente com o artista a gravação de sua obra.
Registro de Músicas
O registro de música é um direito do autor, e não um dever. Não é obrigatório. Porém, se alguém registrar a sua música antes de você e você não tiver como provar que tem a anterioridade da obra, infelizmente você perdeu a titularidade da obra. Por isso, registrar as suas músicas é um meio de se precaver contra os maus utilizadores de sua música e também daqueles que possam fazer plágio, ou cópia de parte de sua música.
O registro é feito em órgãos públicos, geralmente Universidades ou Conservatórios. É um processo fácil, mas é preciso ter o formulário preenchido, anexando a ele a partitura da música, algumas cópias da letra original e a assinatura dos autores.
Registro de Fonogramas
Quando uma música é gravada e divulgada, ela automaticamente gera direitos de execução. Mas, para que isso ocorra, é necessário que se faça o Registro do Fonograma, que gera um número, o ISRC, a partir do qual aquela determinada gravação será identificada. Para reconhecer o fonograma é fácil. Na contracapa da maioria dos CDs, ao lado da música, está impresso um conjunto de letras e números. Este é o ISRC. Os donos de rádios, em geral, usam esse número para identificar a música quando é tocada, e com isso, o direito pago ao ECAD é transferido diretamente à sociedade que regula aquele fonograma. No ISRC, gerado através da sua Sociedade Arrecadadora, são contidos os nomes dos Autores (Direito Autoral), Intérpretes (cantores, banda e/ou solistas) e músicos participantes da gravação.
Agora que você já sabe o que são essas instituições, vamos usar um exemplo prático: Você é um autor, que gravou a sua própria música com a sua banda e quer colocá-la num CD. Que medidas tomar para garantir seus direitos?
1 – Você precisa registrar sua música. Fazer a partitura e encaminhá-la ao órgão público devido (Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, na UFRJ)
2 – Você pode ou não fazer um contrato de edição de sua música, em uma editora. No seu caso, só é interessante se você quiser que outras pessoas gravem sua música.
3 – Você precisa se filiar a uma sociedade arrecadadora e filiar seus músicos. Se você for o produtor, associe-se como tal. Isso garantirá que você poderá gerar o ISRC.
4 – Gerado o ISRC de sua música, seus direitos estão garantidos, desde que sua música seja divulgada, seja em rádios, televisão, filmes ou qualquer outro meio que gere Direitos de Execução, ou Direitos Conexos e Autorais.
É de extrema importância que cada passo seja seguido para que esse patrimônio não se perca e você possa desfrutar dele. É direito seu!
Felipe Aguiar
O direito moral é eterno. O autor tem o direito de ter o seu nome indicado junto à obra, reivindicar a autoria da obra a qualquer momento, conservar a obra inédita, opor-se a qualquer modificações ou prática de atos que possam prejudicá-la, de modificar a obra a qualquer tempo, de retirá-la de circulação ou de suspender qualquer forma de utilização já autorizada.
O direito patrimonial é o lucro, ou retorno financeiro que a determinada obra lhe traz sendo divulgada, executada em rádios, ou distribuída em forma de gravações e/ou CDs, DVDs entre outros meios de divulgação.
Sabemos que o processo de arrecadação ainda gera muitas dúvidas entre os músicos e autores, e entendemos que por muitos ainda é desconhecido. Mas, arrecadação de direitos é dotado de normas e associações que precisam ser feitas, e desejamos com esse artigo que você, músico ou compositor, saiba o que fazer para garantir seus direitos:
Para entendermos como funciona o mecanismo brasileiro de Direitos Autorais, precisamos conhecer algumas instituições:
ECAD – Escritório Central de Arrecadação de Direitos
O ECAD é nada mais que a União das Sociedades Arrecadadoras (que veremos a seguir). Ele é o departamento responsável nacionalmente pela arrecadação dos Direitos Autorais e Conexos. Todo o dinheiro resultante de Direitos Autorais e Conexos passa pelo ECAD. E muito desse lucro é retido porque o ECAD não encontra o autor, ou o mesmo não é associado. Com isso, muitos compositores e músicos não recebem o que lhe é devido.
Sociedades Arrecadadoras
As sociedades arrecadadoras são organizações não governamentais que visam garantir o direito dos autores e músicos. São elas que distribuem o dinheiro arrecadado pelo ECAD. Mas, então, qual é a utilidade do ECAD?
Para explicar tal questão, vou usar um exemplo prático. Imagine o dono de uma rádio, que na segunda-feira é abordado por uma sociedade, por exemplo, a AMAR. Ele paga o que ele deve de direitos autorais. Na terça, o mesmo dono de rádio é abordado por outra, a SOCINPRO. Imagine ele sendo abordado por 10 sociedades diferentes! Como ele saberia quanto pagar a cada uma?
Para isso foi criado o ECAD. Para que a arrecadação fosse feita por uma empresa só. Você paga somente ao ECAD pelo uso de qualquer música, de qualquer artista que seja.
As sociedades arrecadadoras são: AMAR, SOCINPRO, ABRAC, ABRAMUS, ANACIM, ASSIM, ATIDA, SBACEM, SICAM, UBC. Conheça os preceitos de cada uma e escolha a melhor para o seu caso.
Editoras
As editoras são responsáveis por gerenciar o processo de autorização de músicas a serem utilizadas por outras pessoas. Os artistas, por exemplo, ao gravarem um álbum, procuram as editoras responsáveis por cada música, e lhe faz o requerimento para a gravação. A editora atribui os valores, faz os contratos, e contata o artista para que ele receba o direito prévio devido à gravação de sua obra. Imagine se o cantor ou artista tivesse que procurar cada autor, pessoalmente, para pedir-lhe autorização para gravar sua música? As editoras facilitam esse processo. O autor pode escolher se quer que sua música seja editada ou não, mas se não for, ele terá que tratar pessoalmente com o artista a gravação de sua obra.
Registro de Músicas
O registro de música é um direito do autor, e não um dever. Não é obrigatório. Porém, se alguém registrar a sua música antes de você e você não tiver como provar que tem a anterioridade da obra, infelizmente você perdeu a titularidade da obra. Por isso, registrar as suas músicas é um meio de se precaver contra os maus utilizadores de sua música e também daqueles que possam fazer plágio, ou cópia de parte de sua música.
O registro é feito em órgãos públicos, geralmente Universidades ou Conservatórios. É um processo fácil, mas é preciso ter o formulário preenchido, anexando a ele a partitura da música, algumas cópias da letra original e a assinatura dos autores.
Registro de Fonogramas
Quando uma música é gravada e divulgada, ela automaticamente gera direitos de execução. Mas, para que isso ocorra, é necessário que se faça o Registro do Fonograma, que gera um número, o ISRC, a partir do qual aquela determinada gravação será identificada. Para reconhecer o fonograma é fácil. Na contracapa da maioria dos CDs, ao lado da música, está impresso um conjunto de letras e números. Este é o ISRC. Os donos de rádios, em geral, usam esse número para identificar a música quando é tocada, e com isso, o direito pago ao ECAD é transferido diretamente à sociedade que regula aquele fonograma. No ISRC, gerado através da sua Sociedade Arrecadadora, são contidos os nomes dos Autores (Direito Autoral), Intérpretes (cantores, banda e/ou solistas) e músicos participantes da gravação.
Agora que você já sabe o que são essas instituições, vamos usar um exemplo prático: Você é um autor, que gravou a sua própria música com a sua banda e quer colocá-la num CD. Que medidas tomar para garantir seus direitos?
1 – Você precisa registrar sua música. Fazer a partitura e encaminhá-la ao órgão público devido (Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, na UFRJ)
2 – Você pode ou não fazer um contrato de edição de sua música, em uma editora. No seu caso, só é interessante se você quiser que outras pessoas gravem sua música.
3 – Você precisa se filiar a uma sociedade arrecadadora e filiar seus músicos. Se você for o produtor, associe-se como tal. Isso garantirá que você poderá gerar o ISRC.
4 – Gerado o ISRC de sua música, seus direitos estão garantidos, desde que sua música seja divulgada, seja em rádios, televisão, filmes ou qualquer outro meio que gere Direitos de Execução, ou Direitos Conexos e Autorais.
É de extrema importância que cada passo seja seguido para que esse patrimônio não se perca e você possa desfrutar dele. É direito seu!
Felipe Aguiar
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Você (Conto ficcional por Felipe Aguiar)
Você nasceu. Não do jeito como os outros nascem, num parto doloroso de uma mulher. Você nasceu do coração. Aliás, você já estava vivo. Você nasceu no coração dos seus pais. O processo não foi doloroso como o outro nascimento. Pelo contrário, foi cercado de amor e afeto.
Seus pais sempre foram objeto de admiração sua. E a cada dia, enquanto você amadurecia e crescia, mais admiração e respeito você tinha por seus pais. Eles eram sua fonte de carinho em todos os momentos. Desde os momentos agradáveis até os momentos mais tristes. Sua relação com eles crescia em tamanho e maturidade. O amor era alimentado diariamente, através de coisas simples como uma mensagem, uma hora dedicada de atenção a você, um presente... A vida parecia lhe ter presenteado com as melhores pessoas que se poderia pensar em ter como pais. Você sentiu coisas que nunca houvera sentido antes. Você fez coisas que nunca havia feito antes...
Você era suprido em todas as suas necessidades. Não digo as necessidades financeiras, porque, afinal, você não nasceu naturalmente, mas sim do coração. Este tipo de nascimento não leva em conta o mundo material à sua volta. Mas digo as necessidades emocionais. Todo ser humano tem necessidade de amar e ser amado. Isso é um fato que você sempre soube, mas nunca havia sido instigado a provar se essa verdade cabia em você ou não. Mas você foi. E provou que não era mais uma frase retórica de um livro de auto-ajuda. Era verdade pra você. Como você conseguiu viver tanto tempo sem essa relação entre vocês? Como você conseguiu passar tanto tempo sem esse glorioso nascimento?
Durante esse tempo você fez todo tipo de coisas com os seus pais. Vocês conversaram, vocês comeram, vocês sairam juntos, vocês estavam sempre juntos. Quando as pessoas queriam saber dos seus pais, vinham perguntar a você. E você achava isso o máximo. Você queria que isso acontecesse. Vocês estavam irrestritamente incluídos na rotina uns dos outros. Não havia como impedir que vocês pensassem a mesma coisa em muitos assuntos. Você recebeu uma grande carga de influência dos seus pais. Eles foram por todo esse tempo o seu modelo. Você viu neles a inspiração de que precisava para fazer as suas escolhas. Não que você fizesse as suas escolhas em todo o tempo. Muitas vezes eles fizeram escolhas por você. Muitas vezes você foi pego de surpresa por algo decidido por eles sobre você. Mas você adorava essas pequenas surpresas.
A comunicação era diária. E-mails, sms, telefonemas, bilhetes, recados... Tudo era usado para reiterar aquilo que, se não havia sido tido, seria dito a qualquer momento. Promessas foram feitas... Promessas foram cumpridas... Mais promessas foram feitas... E às vezes foram cumpridas... Promessas foram feitas...
O nível de envolvimento e afeição havia chegado ao seu ápice. Não porque chegou ao seu limite, mas porque daí pra frente não cresceu mais. E não cresceu ainda mais por conta de um alvo que havia sido alcançado. Planos e metas tinham sido traçados por você e por eles, mas você olhava para tudo com um olhar muito parcial. Você via tudo de uma maneira muito romanesca, muito idealizada. Muito platônica, se posso usar essa palavra. Se havia outro caminho não sei, mas a decisão havia sido tomada, e a relação estava pegando a próxima saída para outra estrada.
Você não havia sido informado sobre esse plano, ou essa nova rota. Mas, quando o seu pai ligou a seta, você imediatamente percebeu. Você acordou do seu sono e perguntou: Onde estamos? E nenhuma resposta chegou.
No meio do caminho, havia um grande evento. Um casamento. O casamento do ano... Aquele momento para o qual você e eles tinham criado expectativas grandiosas... Você parou, desceu do carro e admirou a cena. Aquele momento que você havia sonhado junto com eles por tanto tempo. Aquele momento que você havia feito de tudo, e além, para que acontecesse da maneira que você esperava. Aquele momento que custou a você muito de você mesmo... Aquele momento... passou.
Na volta pra casa, vocês foram em carros separados. Você voltou pra casa com estranhos conhecidos, que podiam ser tudo menos os seus pais. Eles haviam ido... Por outro caminho... Na direção oposta. Você fez de tudo que pode pra chamá-los de volta, pra chamar sua atenção, pra dizer que você queria ir com eles... mas foi em vão. Eles não lhe ouviram.
Você ficou preocupado, quis saber onde eles estavam, quis chamá-los de volta. Quis gritar por socorro... Mas era tarde demais. A sua única alternativa foi voltar pra casa e se acostumar com a nova situação. Chegou a hora de focar nos seus estudos, chegou a hora de ganhar o mundo. Você foi pra longe... Mas você manteve contato. E até tentou levar seus pais com você. Foi uma aventura incrível, e você voltou outra pessoa. Mais madura, mais ciente do mundo que lhe esperava. E eles estavam lhe esperando. Você pensou que finalmente vocês iam voltar a andar na mesma estrada. E até andaram por algum tempo. Você voltou a sentir tudo aquilo que sentia antes de eles pegarem o retorno. Você pensou que seria feliz novamente... Mas o ápice já tinha passado. E você estava prestes a se dar conta disso.
Você não disse, mas suas atitudes disseram tudo. Você ficou triste, e isso logo apareceu no seu rosto. Você não queria, mas uma conversa foi necessária. Por conta da sua timidez, palavras deixaram de ser ditas. Palavras foram lidas no seu rosto, mas não foram lidas nas suas palavras. A leitura nunca foi um ponto forte no seu pai, e embora sua mãe fosse muito mais proficiente na leitura, ela falava uma língua estrangeira. Você retomou o conhecido discurso do eu te amo, e seguiu em frente crendo que haveria uma mudança. E ela não veio. Você teve cada dia menos contato com seus pais. Eles estavam sempre ocupados, e você foi perdendo a vontade de tentar. Você tentou uma, duas, três vezes sem resposta e desistiu. Você ficou tão frustrado que não teve como evitar. Você se depara com uma música que diz tudo sobre você, mas tem receio de mostrá-la ao mundo:
Why (Por quê - F. Aguiar - 2007)
Nós costumávamos gastar tempo juntos
Andando do mesmo lado da estrada
Nós costumávamos perder tempo juntos
Falando bobagem sobre tudo
Nós éramos amigos mais chegados até que algo mudou
Você tem estado tão diferente
Você tem estado indiferente
Eu não posso fingir todos os meus sentimentos
Enquanto tudo está sendo vendido
Eu sinto falta de todas as palavras que ainda estão sendo ditas
Nós costumávamos fazer coisas juntos até que você foi tão longe
Você tem estado tão diferente
Você tem estado indiferente
Como você pôde deixar seu amor esfriar
Como pôde uma boa amizada envelhecer
Por que tudo que eu amo é tirado de mim
Por quê?
Por que todos conseguiam ver, mas ninguém conseguia decifrar a sua mente? Por que seu rosto insistia em se deixar levar pela força da gravidade e estava sempre triste? Aonde ia sua vida, e suas expectativas para o futuro? Onde estavam as promessas que foram feitas? Será que foram esquecidas?
Era dia das mães. Você se planejou, se preparou, comprou o presente e programou tudo. Estava tudo perfeito. Até que, quando você chegou em casa, seus pais não estavam lá. Você chorou, você se sentiu sozinho, você quis abandonar o mundo. Você pensou coisas que não devia ter pensado. Você aceitou as desculpas, mas já sabia que agora suas vidas estavam tomando direções opostas. Você passou a ver seus pais cada vez menos.Havia chegado a hora da independência? Havia chegado o momento em que você olha no retrovisor e não consegue mais ver o carro que estava ali do seu lado na direção oposta?
O momento passou. Você percebeu que não haveria mais jeito. Os seus pais já estavam longe demais. Não haveria como você pegar o próximo retorno para tentar buscá-los. Eles estavam andando numa velocidade maior do que a sua, e você não conseguiria alcançá-los. Eles tinham companhia. Eles não precisavam de você. No dia dos pais, você nem apareceu em casa. Não porque não quisesse, mas porque sabia que seria difícil terem um tempo pra você. E você chorou, como se isso tivesse lhe pego de surpresa. Não foi uma surpresa, você já sabia. Mas isso lhe deixou ainda mais triste.
Você precisava compartilhar isso com alguém. Você precisava experimentar de novo aquela velha frase se fazendo real em sua vida: Você precisava amar e ser amado. E você procurou quem você tinha antes de você nascer. E descobriu que eles haviam também nascido pra outras pessoas. Você não poderia exigir-lhes permanecer um feto para esperar você. Você nasceu e os deixou sozinhos. Não sozinhos, mas você se apegou aos seus pais de tal modo que esqueceu dos amigos. Então, era preciso criar novos. Era preciso dar à luz a alguém pra você. E isso aconteceu. Muitos não entenderam, outros não aceitaram, mas estava lá. Você podia contar com alguém novamente. Você podia ver o mundo de perto ao lado de outras pessoas. Não digo que você trocou seus pais pelos seus amigos, mas você preencheu seu tempo com quem queria lhe ajudar a preenchê-lo. Seus pais não responderam, porque não leram a sua carta cheia de perguntas.
Passou-se mais um ano, o Natal chegou e o Ano Novo trouxe com ele boas novidades. Você ia mais uma vez ver o mundo. Dessa vez o outro extremo. Seus pais não souberam, porque não leram o cartaz que você tinha colocado à sua porta. Não entenderam, porque não leram o seu bilhete.Não ajudaram, porque não quiseram. NÃO QUISERAM. Você chegou em casa e eles não estavam lá. Você procurou por eles e não os encontrou.
Quando você menos percebeu, seus pais morreram. MORRERAM. E você nem teve tempo pra se despedir. Você não teve tempo de se preparar. Você não teve tempo de responder as perguntas que você tinha feito para você mesmo. Como ia ser agora?
Você agora vive órfão. Não triste, mas órfão. Você vê a figura dos seus pais todas as noites. E várias vezes durante o dia você os vê na sua mente. Você é quase que assombrado pelo espectro deles. Você os reconhece de longe, mas eles não estão mais lá. Eles sentam agora no outro lado da fila. Eles têm outras ocupações. Você se pergunta: é pra sempre? Você às vezes chora, mas é consolado por aquele que te conhece desde antes de você nascer. É só Ele que consegue tirar o seu foco de tudo isso. É só ele que pode arrancar o sentimento de culpa do seu coração e lhe fazer ver que nem tudo depende de você. E, por mais que você se esforce em querer fazer as coisas voltarem, você não pode fazer tudo. Você não pode fazê-los nascer pra você de novo. Depende deles. E você chora ouvindo uma música.
Faithful (Fiel - B. Fraser - 2008)
Há distância no ar e eu não posso permitir
Eu aceno meus braços ao redor de mim e sopro com toda minha força
Eu não posso te sentir por perto, contudo eu sei que estás sempre aqui
Mas o conforto de ter você por perto é o que eu anseio
Quando não posso te sentir, Eu tenho aprendido buscar do mesmo jeito
Quando não posso te ouvir, Eu sei que Tu ainda ouves cada palavra que eu oro
E eu Te quero mais do que viver um outro dia
E à medida que eu espero por Ti talvez eu seja feito mais fiel
Toda a tolice do passado, embora eu saiba que está desfeita
Eu ainda sinto-me o culpado, ainda tentando acertar
Então eu sussurro Teu nome, deixo isso rolar em minha língua
Sabendo que és o único que me conhece
Tu me conheces
Mostre-me como eu devo viver isso
Mostre-me onde eu devo andar
Eu considero esse mundo como desperdício pra mim
Tu és tudo que eu quero
Tu és tudo que eu quero
Não há como voltar atrás. Agora, é seguir em frente, esperando no Criador. Esperando que um nascimento possa acontecer, ou que você nasça novamente, em outra pessoa, em outro lugar, em outro país, você ainda nao sabe.
Felipe Aguiar
Seus pais sempre foram objeto de admiração sua. E a cada dia, enquanto você amadurecia e crescia, mais admiração e respeito você tinha por seus pais. Eles eram sua fonte de carinho em todos os momentos. Desde os momentos agradáveis até os momentos mais tristes. Sua relação com eles crescia em tamanho e maturidade. O amor era alimentado diariamente, através de coisas simples como uma mensagem, uma hora dedicada de atenção a você, um presente... A vida parecia lhe ter presenteado com as melhores pessoas que se poderia pensar em ter como pais. Você sentiu coisas que nunca houvera sentido antes. Você fez coisas que nunca havia feito antes...
Você era suprido em todas as suas necessidades. Não digo as necessidades financeiras, porque, afinal, você não nasceu naturalmente, mas sim do coração. Este tipo de nascimento não leva em conta o mundo material à sua volta. Mas digo as necessidades emocionais. Todo ser humano tem necessidade de amar e ser amado. Isso é um fato que você sempre soube, mas nunca havia sido instigado a provar se essa verdade cabia em você ou não. Mas você foi. E provou que não era mais uma frase retórica de um livro de auto-ajuda. Era verdade pra você. Como você conseguiu viver tanto tempo sem essa relação entre vocês? Como você conseguiu passar tanto tempo sem esse glorioso nascimento?
Durante esse tempo você fez todo tipo de coisas com os seus pais. Vocês conversaram, vocês comeram, vocês sairam juntos, vocês estavam sempre juntos. Quando as pessoas queriam saber dos seus pais, vinham perguntar a você. E você achava isso o máximo. Você queria que isso acontecesse. Vocês estavam irrestritamente incluídos na rotina uns dos outros. Não havia como impedir que vocês pensassem a mesma coisa em muitos assuntos. Você recebeu uma grande carga de influência dos seus pais. Eles foram por todo esse tempo o seu modelo. Você viu neles a inspiração de que precisava para fazer as suas escolhas. Não que você fizesse as suas escolhas em todo o tempo. Muitas vezes eles fizeram escolhas por você. Muitas vezes você foi pego de surpresa por algo decidido por eles sobre você. Mas você adorava essas pequenas surpresas.
A comunicação era diária. E-mails, sms, telefonemas, bilhetes, recados... Tudo era usado para reiterar aquilo que, se não havia sido tido, seria dito a qualquer momento. Promessas foram feitas... Promessas foram cumpridas... Mais promessas foram feitas... E às vezes foram cumpridas... Promessas foram feitas...
O nível de envolvimento e afeição havia chegado ao seu ápice. Não porque chegou ao seu limite, mas porque daí pra frente não cresceu mais. E não cresceu ainda mais por conta de um alvo que havia sido alcançado. Planos e metas tinham sido traçados por você e por eles, mas você olhava para tudo com um olhar muito parcial. Você via tudo de uma maneira muito romanesca, muito idealizada. Muito platônica, se posso usar essa palavra. Se havia outro caminho não sei, mas a decisão havia sido tomada, e a relação estava pegando a próxima saída para outra estrada.
Você não havia sido informado sobre esse plano, ou essa nova rota. Mas, quando o seu pai ligou a seta, você imediatamente percebeu. Você acordou do seu sono e perguntou: Onde estamos? E nenhuma resposta chegou.
No meio do caminho, havia um grande evento. Um casamento. O casamento do ano... Aquele momento para o qual você e eles tinham criado expectativas grandiosas... Você parou, desceu do carro e admirou a cena. Aquele momento que você havia sonhado junto com eles por tanto tempo. Aquele momento que você havia feito de tudo, e além, para que acontecesse da maneira que você esperava. Aquele momento que custou a você muito de você mesmo... Aquele momento... passou.
Na volta pra casa, vocês foram em carros separados. Você voltou pra casa com estranhos conhecidos, que podiam ser tudo menos os seus pais. Eles haviam ido... Por outro caminho... Na direção oposta. Você fez de tudo que pode pra chamá-los de volta, pra chamar sua atenção, pra dizer que você queria ir com eles... mas foi em vão. Eles não lhe ouviram.
Você ficou preocupado, quis saber onde eles estavam, quis chamá-los de volta. Quis gritar por socorro... Mas era tarde demais. A sua única alternativa foi voltar pra casa e se acostumar com a nova situação. Chegou a hora de focar nos seus estudos, chegou a hora de ganhar o mundo. Você foi pra longe... Mas você manteve contato. E até tentou levar seus pais com você. Foi uma aventura incrível, e você voltou outra pessoa. Mais madura, mais ciente do mundo que lhe esperava. E eles estavam lhe esperando. Você pensou que finalmente vocês iam voltar a andar na mesma estrada. E até andaram por algum tempo. Você voltou a sentir tudo aquilo que sentia antes de eles pegarem o retorno. Você pensou que seria feliz novamente... Mas o ápice já tinha passado. E você estava prestes a se dar conta disso.
Você não disse, mas suas atitudes disseram tudo. Você ficou triste, e isso logo apareceu no seu rosto. Você não queria, mas uma conversa foi necessária. Por conta da sua timidez, palavras deixaram de ser ditas. Palavras foram lidas no seu rosto, mas não foram lidas nas suas palavras. A leitura nunca foi um ponto forte no seu pai, e embora sua mãe fosse muito mais proficiente na leitura, ela falava uma língua estrangeira. Você retomou o conhecido discurso do eu te amo, e seguiu em frente crendo que haveria uma mudança. E ela não veio. Você teve cada dia menos contato com seus pais. Eles estavam sempre ocupados, e você foi perdendo a vontade de tentar. Você tentou uma, duas, três vezes sem resposta e desistiu. Você ficou tão frustrado que não teve como evitar. Você se depara com uma música que diz tudo sobre você, mas tem receio de mostrá-la ao mundo:
Why (Por quê - F. Aguiar - 2007)
Nós costumávamos gastar tempo juntos
Andando do mesmo lado da estrada
Nós costumávamos perder tempo juntos
Falando bobagem sobre tudo
Nós éramos amigos mais chegados até que algo mudou
Você tem estado tão diferente
Você tem estado indiferente
Eu não posso fingir todos os meus sentimentos
Enquanto tudo está sendo vendido
Eu sinto falta de todas as palavras que ainda estão sendo ditas
Nós costumávamos fazer coisas juntos até que você foi tão longe
Você tem estado tão diferente
Você tem estado indiferente
Como você pôde deixar seu amor esfriar
Como pôde uma boa amizada envelhecer
Por que tudo que eu amo é tirado de mim
Por quê?
Por que todos conseguiam ver, mas ninguém conseguia decifrar a sua mente? Por que seu rosto insistia em se deixar levar pela força da gravidade e estava sempre triste? Aonde ia sua vida, e suas expectativas para o futuro? Onde estavam as promessas que foram feitas? Será que foram esquecidas?
Era dia das mães. Você se planejou, se preparou, comprou o presente e programou tudo. Estava tudo perfeito. Até que, quando você chegou em casa, seus pais não estavam lá. Você chorou, você se sentiu sozinho, você quis abandonar o mundo. Você pensou coisas que não devia ter pensado. Você aceitou as desculpas, mas já sabia que agora suas vidas estavam tomando direções opostas. Você passou a ver seus pais cada vez menos.Havia chegado a hora da independência? Havia chegado o momento em que você olha no retrovisor e não consegue mais ver o carro que estava ali do seu lado na direção oposta?
O momento passou. Você percebeu que não haveria mais jeito. Os seus pais já estavam longe demais. Não haveria como você pegar o próximo retorno para tentar buscá-los. Eles estavam andando numa velocidade maior do que a sua, e você não conseguiria alcançá-los. Eles tinham companhia. Eles não precisavam de você. No dia dos pais, você nem apareceu em casa. Não porque não quisesse, mas porque sabia que seria difícil terem um tempo pra você. E você chorou, como se isso tivesse lhe pego de surpresa. Não foi uma surpresa, você já sabia. Mas isso lhe deixou ainda mais triste.
Você precisava compartilhar isso com alguém. Você precisava experimentar de novo aquela velha frase se fazendo real em sua vida: Você precisava amar e ser amado. E você procurou quem você tinha antes de você nascer. E descobriu que eles haviam também nascido pra outras pessoas. Você não poderia exigir-lhes permanecer um feto para esperar você. Você nasceu e os deixou sozinhos. Não sozinhos, mas você se apegou aos seus pais de tal modo que esqueceu dos amigos. Então, era preciso criar novos. Era preciso dar à luz a alguém pra você. E isso aconteceu. Muitos não entenderam, outros não aceitaram, mas estava lá. Você podia contar com alguém novamente. Você podia ver o mundo de perto ao lado de outras pessoas. Não digo que você trocou seus pais pelos seus amigos, mas você preencheu seu tempo com quem queria lhe ajudar a preenchê-lo. Seus pais não responderam, porque não leram a sua carta cheia de perguntas.
Passou-se mais um ano, o Natal chegou e o Ano Novo trouxe com ele boas novidades. Você ia mais uma vez ver o mundo. Dessa vez o outro extremo. Seus pais não souberam, porque não leram o cartaz que você tinha colocado à sua porta. Não entenderam, porque não leram o seu bilhete.Não ajudaram, porque não quiseram. NÃO QUISERAM. Você chegou em casa e eles não estavam lá. Você procurou por eles e não os encontrou.
Quando você menos percebeu, seus pais morreram. MORRERAM. E você nem teve tempo pra se despedir. Você não teve tempo de se preparar. Você não teve tempo de responder as perguntas que você tinha feito para você mesmo. Como ia ser agora?
Você agora vive órfão. Não triste, mas órfão. Você vê a figura dos seus pais todas as noites. E várias vezes durante o dia você os vê na sua mente. Você é quase que assombrado pelo espectro deles. Você os reconhece de longe, mas eles não estão mais lá. Eles sentam agora no outro lado da fila. Eles têm outras ocupações. Você se pergunta: é pra sempre? Você às vezes chora, mas é consolado por aquele que te conhece desde antes de você nascer. É só Ele que consegue tirar o seu foco de tudo isso. É só ele que pode arrancar o sentimento de culpa do seu coração e lhe fazer ver que nem tudo depende de você. E, por mais que você se esforce em querer fazer as coisas voltarem, você não pode fazer tudo. Você não pode fazê-los nascer pra você de novo. Depende deles. E você chora ouvindo uma música.
Faithful (Fiel - B. Fraser - 2008)
Há distância no ar e eu não posso permitir
Eu aceno meus braços ao redor de mim e sopro com toda minha força
Eu não posso te sentir por perto, contudo eu sei que estás sempre aqui
Mas o conforto de ter você por perto é o que eu anseio
Quando não posso te sentir, Eu tenho aprendido buscar do mesmo jeito
Quando não posso te ouvir, Eu sei que Tu ainda ouves cada palavra que eu oro
E eu Te quero mais do que viver um outro dia
E à medida que eu espero por Ti talvez eu seja feito mais fiel
Toda a tolice do passado, embora eu saiba que está desfeita
Eu ainda sinto-me o culpado, ainda tentando acertar
Então eu sussurro Teu nome, deixo isso rolar em minha língua
Sabendo que és o único que me conhece
Tu me conheces
Mostre-me como eu devo viver isso
Mostre-me onde eu devo andar
Eu considero esse mundo como desperdício pra mim
Tu és tudo que eu quero
Tu és tudo que eu quero
Não há como voltar atrás. Agora, é seguir em frente, esperando no Criador. Esperando que um nascimento possa acontecer, ou que você nasça novamente, em outra pessoa, em outro lugar, em outro país, você ainda nao sabe.
Felipe Aguiar
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